Metade das startups unicórnios não vale US$ 1 bilhão – e não é unicórnio, diz estudo

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    Os unicórnios podem não ser reais. E não falamos de seres mágicos da ficção, mas de startups bilionárias. O mercado financeiro chama de unicórnio as empresas novatas avaliadas em US$ 1 bilhão antes de abrir o capital em bolsa de valores. Existem centenas delas – a maioria no Vale do Silício. Mas uma pesquisa feita pela Universidade da Columbia Britânica (UBC) e pela Universidade de Stanford com 116 companhias mostra metade delas está sobreavaliada e não é, por definição, um unicórnio.

    De acordo com o estudo, divulgado primeiramente pelo Business Insider, algumas empresas não deveriam estar nesse seleto rol. Sua avaliação está, em média, 49% maior do que elas realmente valem. Além disso, 11% chegaram a ter o valor duplicado, dizem os pesquisadores.

    São consideradas unicórnios empresas famosas como Uber, Airbnb, Snapchat, Xiaomi, Pinterest e SpaceX, por exemplo, segundo lista da revista Fortune.

    Jovem fantasiado de unicórnio salta em piscina na Alemanha; no Vale do Silício, unicórnio é startup avaliada em mais de US$ 1 bilhão, mas estudos mostram que muitas estão superavaliadas (Foto: Karl-Josef Hildenbrand/DPA/AFP/Arquivo)

    Jovem fantasiado de unicórnio salta em piscina na Alemanha; no Vale do Silício, unicórnio é startup avaliada em mais de US$ 1 bilhão, mas estudos mostram que muitas estão superavaliadas (Foto: Karl-Josef Hildenbrand/DPA/AFP/Arquivo)

    Como são avaliadas

    Quando uma empresa tem capital listado em bolsa de valores, seu valor de mercado é o preço da ação multiplicado pelo número de ações da empresa. Mas quando ela tem capital fechado, ou seja, não está na bolsa de valores, é difícil calcular quanto ela vale. Uma das formas mais comuns é estimar seu valor pelo preço que os investidores pagaram para comprar uma participação nela.

    Por exemplo: se uma startup recebeu um aporte de um fundo de investimentos por US$ 100 milhões e esse fundo ficou com uma participação de 10% da empresa, pode-se estimar que a companhia inteira valha US$ 1 bilhão.

    Mas o estudo da UBC e da Stanford avalia que, muitas vezes, esses investidores pagam valores maiores do que a empresa valeria porque as transações garantem a eles direito especiais resguardados por contratos.

    Eles conseguem, por exemplo, retornos garantidos caso a empresa abra o capital ou podem até mesmo bloquear o processo de lançamento em bolsa caso a rentabilidade não seja interessante para eles – e quem compra uma ação comum no mercado não tem essas vantagens.

    Um exemplo de empresa que passou a valer menos quando foi para o mercado foi a Square, de pagamentos móveis. A companhia era um unicórnio e foi avaliada por US$ 6 bilhões pelos seus investidores. Quando foi lançada em bolsa, em 2015, seu valor caiu para US$ 2,9 bilhões.

    Na prática, isso significa que os investidores de venture capital aceitam comprar participações dessas empresas por um valor mais alto do que pagariam em uma abertura de capital tradicional, que não garante direitos extras. E são exatamente esses investimentos que balizam o valor das startups para que elas sejam lançadas em bolsa, o que acaba “inflando” os preços.

    “Alguns unicórnios têm feito promessas tão generosas a seus primeiros acionistas que suas ações comuns são quase sem valor”, diz Will Gornall, um dos autores do estudo, em entrevista ao site da UBC.

    Fonte G1 Economia Negócios

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