Inadimplência desacelera pelo 3º mês seguido; negativados são 58,9 mi

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O número de brasileiros negativados atingiu 58,9 milhões no último mês de julho, o que representa 200 mil consumidores em situação de inadimplência a menos do que o apurado em junho, quando girava em torno de 59,1 milhões de devedores. O levantamento foi divulgado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Apesar da queda, esse número é considerado elevado pelos economistas do SPC Brasil por representar 39,57% da população adulta no país.

O volume de inadimplentes aumentou 1,99% no último mês frente a mesmo mês do ano passado. “Apesar do crescimento mais moderado da inadimplência na comparação anual e da queda na comparação mensal, ainda é cedo para considerar que a tendência de retração da inadimplência se manterá ao longo dos próximos meses”, afirma o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.

Para ele, o país enfrenta dois movimentos distintos na economia, com a recessão e consequente aumento do desemprego, queda na renda e inflação elevada, o que restringe o poder de compra da população, e por outro lado a maior restrição ao crédito, devido à elevada taxa de juros e a maior incerteza por parte dos tomadores e concedentes de crédito.

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, ambos os fatores afetam a inadimplência em direções distintas. “O resultado de julho sente o efeito da maior restrição ao crédito, podendo ser um efeito temporário e que não necessariamente está ligado a uma melhoria na capacidade de pagamento dos consumidores”, afirma.

Dívidas com água e luz
O indicador também verificou que houve crescimento de 1,82% na quantidade de dívidas atrasadas na comparação entre julho de 2016 e o mesmo mês do ano passado. Na variação mensal, entre junho e julho, houve uma leve retração de 1,18%.

Segundo o SPC, o brasileiro ainda enfrenta dificuldades para realizar o pagamento de contas básicas. O maior avanço no número de dívidas foi com as empresas concessionárias de serviços como água e luz, cuja alta atingiu 8,33% na comparação anual.

As dívidas com os bancos cresceram 2,48%, ao passo que os atrasos no comércio avançaram 1,42% na base anual de comparação. O único setor em que houve queda na quantidade de novas dívidas registradas foi o setor de comunicação, que engloba TV por assinatura, internet e telefonia, com recuo de 5,17%.

Ainda que o crescimento das dívidas no setor de contas de água e luz seja o principal destaque do mês de julho, as dívidas com os bancos são as que concentram, proporcionalmente, o maior número de pendências, com participação de 42,13% no total de dívidas em atraso das quatro regiões, seguido do comércio, com 24,44% e do setor de comunicação, com 12,46%. O setor de água e luz concentra 9,26% do total de pendências.

Regiões
Assim como nos últimos meses, a região Nordeste foi a que teve o maior crescimento no número de devedores: alta de 5,01% na comparação anual. Em seguida, a região Norte, com um aumento de 0,85%. Já as regiões Sul e Centro-Oeste apresentaram leves recuos, de -1,12% e -1,23%, respectivamente.

Apesar do Nordeste ter apresentado o maior aumento de novos inadimplentes, é a região Norte que detém, proporcionalmente, a maior população de consumidores inadimplentes: são 5,24 milhões de pessoas com contas em atraso, o que representa 45,58% da população adulta desta região.

O Centro-Oeste, com número absoluto de 4,69 milhões, apresenta a segunda maior proporção da população adulta em situação de inadimplência (41,55%). A região Nordeste registrou 16,26 milhões de negativados, com 41,27% da população adulta. Por fim, o Sul, com um total de 8,16 milhões de consumidores negativados, apresentou a menor proporção (36,98% da população adulta).

Fonte G1

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